Stablecoins são um dos pilares do cripto-mercado. Servem para proteger o patrimônio de usuários e organizações da volatilidade do setor, alavancagem em posições, liquidez para negociações de tokens, pagamentos e tantas outras inventadas pelos protocolos.

O design de cada stablecoin é particular de seu criador. Não há um padrão a ser seguido.

Tether, Circle e Binance emitem seus cripto-dólares colateralizando-os com dinheiro em contas e commercial papers - notas promissórias -.

A Maker, usa criptoativos e títulos de divida para garantir a estabilidade de sua stablecoin.

Frax mantém sua paridade com o dólar numa relação com seu token de governança, FXS, somada a colateralização com uma cesta de ativos, sendo USDC o principal deles. .

Liquity e Reflexer confiam somente em ETH para garantir o valor de suas stablecoins.

Unindo as dezenas de stablecoins existentes no cripto-mercado*,* a capitalização já alcança a marca de U$154B.

Cada modelo escolhido possui seus trade-offs e cabe a cada uma delas equilibrar a relação entre escalabilidade, descetralização e segurança. Para saber mais sobre o trilema das stablecoins e os diferentes algorítmos adotados por seus emissores, clique aqui.

O poder das centralizadas

O mercado de stablecoins sempre foi dominado pelas soluções centralizadas, com a Tether liderando o posto de cripto-dólar preferido pelas exchanges e usuários. A desconfiança quanto aos ativos que colateralizam a USDT, sua stablecoin, fizeram nascer novos cripto-dólares nos últimos anos.

A USDC foi uma delas, emitida pela Circle em parceria com a Coinbase. Em menos de 4 anos, conseguiu criar U$53B e disputar com a Tether o top 1 entre as stablecoins com maior liquidez. Seu diferencial sempre foi a transparência, boa relação com reguladores e sinergia com protocolos DeFi.

No entanto, a centralização é seu maior calcanhar de Aquiles e uma das críticas da comunidade.

A sanção a Tornado Cash aplicada pelo Tesouro Americano, levou a empresas do setor alinharem-se ao posicionamento do governo dos EUA, bloqueando endereços que interagiram com o mixer e aqueles contidos na lista negra do Tio Sam. A Circle foi uma delas: 75.000 USDC foram bloqueados de uma pool na Tornado Cash. Apesar do valor não ser vultuoso, a capacidade de arbitrariamente impedir o uso de tokens acendeu um alerta na comunidade.

Assim, os olhos novamente voltam-se para soluções descentralizadas, com a DAI da Maker DAO, sendo a com maior liquidez e reputação atualmente. Mas será que ela é tudo isso mesmo?

Maker DAO e sua crise de identidade

Untitled

Fundada em 2014, a Maker Foundation criou seu 1º cripto-dólar em 2017 e converteu-se numa DAO no mesmo ano. A Single Collateral DAI ou SAI foi a primeira stablecoin da organização, tornando-se pioneira no ramo de DAOs emissoras de cripto-dólares.

Usuários interessados em ter stablecoins poderiam depositar ETH e emprestar SAI, mantendo Ether como único colateral aceito pelo protocolo. A escolha não era uma coincidência: o intuito era criar um cripto-dólar descentralizado e incensurável.

No entanto, uma divisão entre os membros da Maker DAO mudaria seus planos para seu futuro e sua ideologia.

Em 2019, 3 movimentos existiam dentro da Maker: